Laranja Mecânica

August 16, 2017

Olá pessoas!

 

Tudo certo com vocês? Por aqui tudo horrorshow!

 

Para quem me segue no instagram (@jennipoletto) sabe muito bem o que está vindo por aí. Publiquei uma foto a alguns dias atras com a seguinte legenda "Chegando ao fim de mais uma história horrorshow! Será que vale a resenha?" e depois de pensar um pouco, vi que vale sim. Afinal, sou fã dessa história, tanto no filme quanto no livro. Então vamos á ela!

 

Título: Laranja Mecânica - Edição Especial 50 Anos

Autor: Anthony Burgess

Ano: 2012

Editora: Aleph

Número de páginas: 352

 

 

Para quem ainda não conhece essa história, ela conta sobre a vida de Alex e seus amigos, porém eles não são adolescentes comuns, eles usam e abusam da selvageria. Nos horários fora da escola, ele aproveitam para roubar lojas, espancar inocentes e até estuprar por mera diversão. Tudo isso muda quando são apanhados pela polícia em um de seus recorrentes assaltos. Alex, nosso protagonista, é traído por seus amigos e acaba indo para a prisão. Lá ele irá passar por poucas e boas até ser submetido a um tratamento muito intenso, para a sua recuperação, chamado Técnica Ludovico.

 

O livro é divido em três grandes partes, a primeira relatando as "aventuras" dele juntamente com os amigos. É uma narrativa boa, mas pode causar estranheza em quem não está acostumado com um pouco de violência gratuita. É intrigante que Alex, nosso personagem principal e narrador da história, sempre mostra estar muito satisfeito com seus atos. Ele realmente não tem remorso algum sobre o que comete, mostrando, por vários momentos, ser duro com seus próprios comparsas.

 

 

A segunda parte conta a ida e estadia de Alex na prisão. É também durante esse momento que é relatada a famosa Técnica Ludovico a qual é submetido. Essa prática promete reabilitar o presidiário em apenas 15 dias e entregar para a sociedade alguém completamente novo, garantindo que não haverão mais crimes vindo dele. Alex relata tudo que é feito com ele e como se sente sobre essas práticas. São atos que envolvem filmes com violência explícita, injeções e até música, a intenção é causar a repulsa por atos baixos, o que acaba funcionando por um tempo.

 

 

Depois dessa fase de 15 dias de tratamento, Alex sai da prisão e é reintegrado à sociedade. A terceira e última parte da narrativa mostra os efeitos da técnica Ludovico na prática, chegando a pontos onde o personagem não consegue nem ao menos se defender. Um capítulo muito interessante também é o que ele volta para a casa dos pais e seu quarto já não é mais seu. Os pais de Alex alugaram o espaço o obrigando a arrumar outro lugar para ficar, o que não é uma tarefa tão fácil assim já que ele é um ex-presidiário e lembrado por ser delinquente juvenil

 

 

Devo destacar aqui o último capítulo do livro, o qual não foi inserido nas filmagens originais da adaptação. Lá mostra o desenrolar da tal técnica e se ela realmente funcionou ou não, o que no filme fica apenas por interpretação do espectador. Não quero dar muitos spoilers aqui, mas digo que vale muito a pena e que, pessoalmente, fique satisfeita com o final.

 

Destaco aqui que toda a extensão do livro traz um vocabulário diferente e misturado com o russo, denominado nadsat. Isso não atrapalha na leitura, mas desafia o senso de interpretação do leitor. Alguns podem achar massante, mas eu acredito que isso esteja ali por um motivo muito maior que é causar estranheza e desconforto, além dos atos descritos. Para mim, Anthony Burgess, acertou nesse ponto.

 

A versão original do livro não traz nenhuma nota explicando os significados das palavras, já na edição de 50 anos que obtenho, há um glossário com todos os termos. Admito que procurei algumas coisas, mas ficar recorrendo a ele frequentemente tira o ritmo da leitura. Preferi ficar com a velha interpretação e sexto sentido.

 

 

Outro detalhe muito interessante desta versão são as ilustrações de Angeli, Dave McKean e Oscar Grillo. Essas estão espalhadas por toda a extensão da narrativa e dão um ar ainda mais denso à história. Com traços diferenciados, proporções peculiares e tons de laranja e preto, essas imagens ajudam a complementar a estranheza distribuída por toda a trama.

 

E já que estamos falando da história em si, também é importante apontar a mensagem que o livro traz e toda a relação com o nome. É fato que o livro aborda a eficácia do sistema carcerário na recuperação dos detentos, mas não é só isso. Será mesmo que passar por um processo de amadurecimento sendo moldado por parâmetros pré estabelecidos é a melhor maneira de ter cidadão bons no mundo? Será mesmo que é possível mecanizar a laranja? Fica aí uma reflexão.

 

Num âmbito geral o livro é interessante tanto para quem já conhece o filme quando para quem só ouviu alguns rumores sobre a trama. Como este é um clássico e já se tornou cult e queridinho por todos, é muito fácil de ser encontrado nas mais diversas lojas do ramo. 

 

E vocês, já leram ou assistiram Laranja mecânica? Deixem seu depoimento aqui nos comentários!

 

Até a próxima

Jennifer Poletto

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