A Forma da Água | Resenha

March 20, 2018

Olá pessoas! 

 

Como estão todos vocês? Por aqui tudo muito apaixonantemente molhado. E depois desse trocadilho péssimo, vamos realmente começar o port de hoje, haha.

 

Como já puderam ver no título, hoje é dia de mais uma resenha, desta vez sobre esse filme fantástico, ganhador de melhor filme no Oscar de 2018. Admito que quando vi o cartaz do filme no cinema, pensei se mais um filme lado B que não duraria muito tempo em exibição. Não estava absolutamente errada já que A forma da Água saiu logo do cinema, porém ele retornou quando conquistou a sua estatueta dourada.

 

Mas vou mostrar mais das minhas considerações sobre esta obra no decorrer da resenha. Vamos a ela! 

 

 

Título:A forma da Água 

Título original: The Shape of water

País: EUA

Duração:  2h 03m

Direção: Guillermo del Toro

Ano: 2018

Elenco: Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins

 

O filme começa apresentando nossa personagem principal, Elisa (Sally Hawkins), com toda a sua rotina imutável. Elisa, apesar de ser uma pessoa doce e cheia de sentimentos, está longe de ser ingênua. É muito legal ver que apesar de fazer as mesmas coisas todos os dias, de dormir em um sofá ou até de comer sempre as mesmas refeições, ela consegue ver o lado bom e aproveitar as pequenas coisas. 

 

Ao lado de seu apartamento mora o melhor amigo Giles (Richard Jenkins), um pintor publicitário a beira da falência. Apesar deste fato ele ainda tem esperança que consiga alguma promoção que o tire desta situação. Elisa cuida dele como se fosse um parente e é nítido o carinho que um tem pelo outro. Giles é um personagem secundário, mas isso não impede que ele tenha problemas e uma profundidade própria, o que leva o espectador ainda mais fundo nessa história.

 

No decorrer do filme nos é revelado onde Elisa trabalha, em um laboratório secreto de governo americano. Lá são desenvolvidos diversos experimentos, como a trama se passa em períodos de guerra fria, fica claro que muitos deles sejam para esta finalidade também, assim como a descoberta da criatura hibrida que é cereja em cima deste bolo maravilhoso que é este filme. 

 

Nessa altura a curiosidade de Elisa já é aguçada para saber que criatura é aquela, qual sua aparência e quais são suas capacidades. O diretor não faz muitos rodeios então a aparência do "mostro" já é revelada de cara, isso dá a possibilidade para que a história siga sem muitos floreios e focando no que realmente é importante. 

 

Elisa começa a criar uma intimidade com a criatura, quando consegue entrar no laboratório de forma que ninguém a perceba. É de abismar tamanha facilidade que as pessoas têm de percorrer salas com segredos de estado, mas seguimos com o filme. A relação deles começa a ficar mais profunda e como nenhum deles pode se comunicar, a única forma é através de gestos, olhares e toques. Isso leva nossa imersão às profundezas, afinal, quando um sentido não está presente os outros são aguçados. 

 

 

Cada personagem é trabalhado de maneira individual, cada um com uma personalidade marcante e com problemas particulares, sem entrar em conflito com a trama principal, mas sim alimentando-a. Dou destaque ao personagem interpretado com maestria  por Michael Shannon, Strickland, onde a cada momento que ele aparece em cena, nosso sensor de perigo é acionado. Seu personagem é arrogante, desprezível e sem nenhuma qualidade, um completo idiota. Mesmo sem nenhuma faceta boa, o personagem tem motivações e nenhum plano tão grandioso a interferir no contexto geral.

 

Parando para pensar um pouco, se essa história realmente acontecesse, o governo iria fazer de tudo para esconder os fatos e não deixar que mais nenhuma nação tivesse conhecimento da criatura, já a Elisa entraria na lista de mortes ou desaparecimentos daquele ano. Um ponto para tramas intimistas!! 

 

A trama vai se desenrolando até que o governo decide matar a criatura, Elisa vendo tamanha injustiça quer impedir. Ela enfrentará muitos obstáculos até que consiga mover alguns pauzinhos a seu favor. Mas, a partir deste ponto, vou deixar a curiosidade que vem não viu o filme ser aguçada. 

 

A forma da Água tem uma fotografia linda baseada em filtros azuis e muito, mas muito, verde. A tonalidade de verde está em absolutamente tudo, porém isso não incomoda ao ponto de realmente saltar aos olhos. As cenas, em sua grande maioria, escuras nos leva ainda mais nessa imersão na narrativa. É importante observar este jogo de cores, pois é ele que nos dá muitas dicas do que está acontecendo, como as pontuais mudanças de roupa de Elisa pela cor vermelha, simbolizando a paixão e o quanto ela está estregue ao que está vivenciando.

 

O que não pode deixar de ser comentado aqui é a aparência da criatura, com todos os mínimos detalhes que realmente nos faz acreditar que aquilo é possível. Este é o ponto, durante o filme todo, todas as situações são completamente possíveis e quando algo foge do comum, continuamos acreditando que aquilo pode acontecer um dia, se é que já não aconteceu. O aprofundamento no fantasia é feita de forma tão sutil como o movimentar das câmeras nas cenas com Elisa.

 

A forma da Água é um filme de romance que foge do comum. Em um mundo onde a pauta é a aceitação das diferenças, a trama chega quebrando todas as argumentações. Ela vai além de questões simples como a cor, mergulha de cabeça em questões de espécies e, que ao final de tudo, ainda não temos certeza se é algo maior.

 

A trama nos leva por lugares que não estamos esperando e nos faz pensar como agiríamos em certas situações, não só em relação a criatura. É um filme lindo e que mereceu levar a tão importante estatueta dourada de 2018.

 

E vocês, já viram A forma da Água? Deixa aqui seu comentário comentando o que achou.

 

Até a próxima

Jennifer Poletto

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